“Algum tempo depois, o número de judeus que se tornaram seguidores de Jesus aumentou muito, e os que tinham sido criados fora da terra de Israel começaram a se queixar dos que tinham sido criados em Israel. A queixa deles era que as viúvas do seu grupo estavam sendo esquecidas na distribuição diária de dinheiro.” Atos 6.1

No domingo passado procurei destacar alguns aspectos da questão “crescimento da igreja” e, como este é um assunto que gera muitas reflexões, tal a sua complexidade e a quantidade de facetas a serem analisadas, acabei por não comentar o texto que serviu para a abertura da mensagem pastoral. Ocorre que este texto é muito importante se queremos avaliar as conseqüências do crescimento de uma igreja.

Podemos por exemplo, começar destacando o primeiro fato mencionado no texto: “o número de judeus que se tornaram seguidores de Jesus aumentou muito”. Aqui temos a igreja cumprindo sua missão, pulsando, vibrando e alcançando as pessoas. Nossa reflexão, neste caso, deve se prender a uma pergunta fundamental: estamos cumprindo também a nossa missão? Estamos como resultado, “aumentando muito” o número dos seguidores de Jesus em nosso bairro?

Uma segunda coisa a destacar é a diversidade das pessoas que estavam chegando a igreja. Naqueles dias iniciais, a grande distinção eram os judeus da palestina (“de Israel”) e os judeus de outras partes do mundo (“de fora de Israel”). Hoje as distinções são maiores. Temos as distinções de natureza social (locais de origem, situação sócio-econômica, tipos de família, etc); cultural (formação acadêmica, religiosa, política e ideológica, etc); sem considerarmos a diversidade dos problemas e perfis de desestruturação social de alguns que chegam até nós, como os dependentes químicos, os portadores de patologias sociais e, ainda, os que se encontram numa situação de desorientação e disfunção em relação as suas opções de comportamento sexual.

A verdade é que, por uma razão ou por outra, o rápido crescimento da igreja cristã nascente deu origem a conflitos, disputas e exigiu a adoção de medidas capazes de trazer de volta a paz e a harmonia entre os membros da igreja de Jerusalém.

Isto sinaliza que, para nós também, crescimento poderá ser sinônimo de bênçãos (glória a Deus por isso!), mas também será a porta para a entrada de problemas, disputas e inquietações (que o Senhor tenha misericórdia de nós!).

O crescimento é a vontade de Deus (“...mas foi Deus quem a fez crescer” – 1ª Corintos 3.6b). Não podemos fugir desta realidade. Entretanto, não podemos ficar de braços cruzados. Para crescer e crescer bem precisamos agir preventivamente. Para que as plantas cresçam saudavelmente, os que delas cuidam fazem a poda periodicamente; para que nossos filhos cresçam com saúde, nos os vacinamos, alimentamos adequadamente e lhes damos todo o suporte necessário. Para que nossa igreja cresça com saúde, precisamos, igualmente, fazer a nossa parte.

Isso não é fácil e nem rápido. Exige disposição e coragem. Posso contar com você?

 

Do seu pastor e amigo
Gilton Medeiros

Última atualização (Sex, 04 de Setembro de 2009 19:34)