Escrevo a pastoral desta semana ainda sob os efeitos sedativos de uma injeção que tomei para me ajudar a suportar as dores de uma possível contratura muscular que me deixou “na lona” durante praticamente dois dias. Devo confessar: detesto sentir dor. Eu “faço de tudo” para evitar a dor. Acho que só uma c
oisa que eu mais detesto do que sentir dor: é sentir náuseas ou ânsia de vômito.

Esta semana, entretanto, não teve jeito: a dor me pegou de tal maneira que só clamando ao Senhor pude suportar alguns momentos. E, aí, nestas horas, somos levados a perguntar: mas, por que Senhor? Qual é a razão da dor? Por que nós precisamos sofrer?

Como o livro de Jó nos ensina a razão de nosso sofrimento (ou da dor) não está restrito ao que fazemos ou deixamos de fazer. Em muitas circunstâncias, o Senhor em sua soberania e graça, nos permite sentir e sofrer a dor, pois ele tem – em seus propósitos eternos – uma razão para isso. O texto que abre esta pastoral, por exemplo, nos mostra o apóstolo Paulo descrevendo os inúmeros sofrimentos pelos quais passou – mesmo sem merecer! Em nome do evangelho e para servir a Jesus ele experimentou a dor e a perseguição. O apóstolo Pedro, Estevão, mártir, Tiago, o irmão de Jesus – a lista é grande e em comum a mesma realidade: todos sofreram e muito em suas vidas e em suas carreiras ao lado de Jesus.

Mas, o sofrimento como conseqüência de nossa fidelidade a Deus, mesmo quando não merecido, é relativamente fácil de compreender e aceitar. Afinal, estamos numa luta contra as hostes do inferno e o nosso inimigo tentará nos destruir de qualquer jeito.

Agora, quando o sofrimento não faz sentido, quando sentimos dor e não encontramos uma razão ou justificativa, aí a situação se complica. E aí, perguntamos: Por que Senhor? Numa situação desta, quando Jesus e seus discípulos se depararam com um homem cego de nascença a pergunta “Quem pecou” ou em outras palavras “Onde está a causa do sofrimento?”, Jesus respondeu: – “Ele é cego, sim, mas não por causa dos pecados dele nem por causa dos pecados dos pais dele. É cego para que o poder de Deus se mostre nele”. João 9.1-3.

A verdade é que nem sempre saberemos o por quê da dor. Talvez, o Senhor se utilize da dor para nos ensinar aquilo que não aprenderíamos de uma outra maneira. Por isso, me parece que, mesmo sentindo dores, o que nós temos que fazer é seguir a atitude de Paulo que se conformou com o “espinho na carne” quando ouviu do Senhor: “A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco.” (2ª Coríntios 12.9)
 
Pastor Gilton MedeirosPr. Gilton Medeiros